Um luxuoso clube de oito hectares à beira-mar costuma ser o destino do presidente em Miami. Trata-se de uma espécie de  “residência de inverno” da gestão Trump. “É o mais perto do paraíso que eu posso chegar”, foi como a autoridade mesmo definiu.

Paraíso do presidente

 

Apesar de também ter piscina, campo de golfe e quadras de tênis, a residência oficial não é tão atraente para Trump quanto seu resort na Flórida. “Camp David é bastante rústica, é legal, um lugar que você vai gostar. Mas sabe por quanto tempo? Uns 30 minutos”, disse o republicano a um jornalista logo após vencer a eleição.

Já Mar-a-Lago tem lustres enormes, salões com decoração dourada, loja com produtos exclusivos. O  spa é equipado, o clube na beira da praia tem todos os serviços e as 126 suítes são luxuosas. Outra comodidade é que o campo de golfe fica a dez minutos de carro do resort.

Não é a primeira vez que a história de Mar-a-Lago esbarra na da Casa Branca. Em 1973, a proprietária Marjorie Merriweather Post decidiu doar a propriedade —que já tinha esse nome por se estender do mar ao lago Worth—ao governo. A intenção era que se tornasse local de descanso para presidentes. Mas Jimmy Carter achou a manutenção cara e se desfez dela.

Em 1982, Trump fez uma oferta de US$ 15 milhões pela propriedade. O valor foi recusado. Três anos depois, pagaria US$ 5 milhões mais US$ 3 milhões em mobiliário.

Título salgado

Hoje, um título de sócio do clube custa US$ 200 mil. Ovalor, que era de US$ 100 mil desde 2012, duplicou após a eleição de Trump. A anuidade é de US$ 14 mil.

Além dos preços, a rotina dos sócios também mudou. No início de fevereiro, a socialite Vanessa Falk foi surpreendida com a presença do presidente em sua festa de casamento no resort. Há casos ainda como o de DeAgazio, que se sentiu como no Situation Room —salão da Casa Branca onde são discutidos assuntos de defesa e segurança nacional— durante o jantar.

Mas nem todos estão felizes. É agora alto o risco de uma reserva no restaurante do clube ser cancelada de última hora por decidirem fechar um espaço para um evento do presidente.

Um sócio reclamou ao jornal “Miami Herald” do aumento nas restrições dentro do clube e da proibição de fotografar enquanto o presidente Trump está no local. “Você consegue imaginar? É o seu clube e você não pode tirar fotos?”